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Photo-Velo-Club

3 Dez

REVISTA MENSAL ILLUSTRADA – PHOTOGRAFIA, PINTURA E BICICLETA

Era assim que se chamava o boletim criado no Porto nos idos de 1899 e que foi dirigido por Domingos Alvão.

Dirigiu, no final do século XIX, a Escola Practica de Photographia do Photo-Velo Club no n.º 120 da Rua de Santa Catarina, no Porto. Foi neste mesmo local que, em 1903, veio a funcionar a Fotografia Alvão que, em 1926, deu lugar à firma Alvão e Cia. Lda.

O clube foi destacado na exposição Portugal 1900 da Gulbenkian.

Tirando as muito poucas coisas que existem na net sobre o Club e duas fotografias, uma da capa do boletim, outra do interior do club, numa fotocópia trazida pelo amigo Rui Noronha, não conseguimos encontrar mais nada. Prometemos investigar.

Uma festa no Real Velo-Club

16 Mai

Em fins do último século, quando os automóveis, de industria ainda incipiente, estavam muito longe de alcançar os progressos actuais, tinha o ciclismo atingido grande desenvolvimento.

Eram mesmo de bom tom os passeios de homens e senhoras em bicicletas, (…)

Também se realizavam nessa época corridas de bicicletas, em locais apropriados – velódromos – espectáculos sempre muito apreciados, e nos quais se evidenciaram notáveis corredores.

E nas batalhas de flores, ao tempo muito em voga, não deixavam de figurar bicicletas, caprichosamente enfeitadas por vezes. (…)

Ora, em 1893 fundou-se nesta cidade o Real Velo-Club do Porto, com sede no velho Palácio de Cristal aonde sempre a conservou, e que tratou logo de proceder à construção dum “velódromo” – daí a razão do seu nome – na cerca do Palácio das Carrancas, edifício actualmente ocupado pelo Museu Nacional de Soares dos Reis, para tal fim cedida.

Teve o Clube como presidente honorário o malogrado rei D. Carlos e ao velódromo foi dado o nome de “Maria Amélia”, em homenagem à excelsa senhora que foi rainha de Portugal. (…)

No ano de 1895 resolveu a Direcção organizar uma festa de caridade no seu velódromo, em benefício do Dispensário para crianças que a piedosa rainha D. Amélia tencionava fundar nesta cidade a exemplo do que já funcionava em Lisboa, com os mais lisonjeiros resultados. (…)

Logo em seguida à distribuição dos convites, a imprensa diária iniciou a publicação de sucessivas listas de prendas , que de toda a parte acorreram , oferecidas especialmente por senhoras da melhor sociedade.

Fez-se grande reclame da festa e nas vitrines dos Armazéns Hermínios, edifício que agora é sede da Caixa Geral de Depósitos, à Rua de Santo António, esteve exposta uma linda aguarela, da autoria do artista amador Manuel S. Romão , representando o velódromo com a disposição das barracas e ornamentações que deveriam figurar no dia do festival.

Para dar maior brilho à festividade publicou-se também uma elegante brochura (…)

Abriu a festa pelo concurso floral de bicicletas, tandems e biciclo. Nele tomaram parte 17 bicicletas, 2 tandems e um biciclo, todos ornamentados a capricho com flores, papéis de variadas cores e avencas, oferecendo um admirável espectáculo, a deslizarem velozmente sobre a pista, que a rutilante luz do sol iluminava. (…)

Entretanto efectuava-se a grande “kermesse”, bazar de prendas em barracas enfeitadas com gosto, guarnecidas de gentilíssimas senhoras, que zelosamente auxiliavam  a venda dos bilhetes de rifa. Além do pavilhão central, havia uma barraca árabe, com a “roda da fortuna” e um gracioso caramanchão, coberto de heras, destinado à venda de tabacos, bebidas, flores e serviço de restaurante. (…)

A receita foi avultadíssima, excedendo em muito as expectativas da comissão promotora, (…)

Desta forma pôde a invicta cidade mais uma vez orgulhar-se de ter largamente concorrido, com a sua proverbial generosidade, para a simpática obra que a bondosa Rainha patrocinava.

Maio de 1959

Chegou-nos às mãos esta brilhante descrição da festa que se realizou em 1895 no Real Velódromo Maria Amélia. Deixo-vos em seguida as imagens com a noticia original completa para que possam perceber melhor como tudo se passou.

Um obrigado ao Nuno Resende que nos vai passando destas pérolas quando se cruza com elas.

Reais em bicicleta

9 Mai

Já sabíamos de comunicações anteriores que  S. A. o infante D. Affonso, era “um distincto velocipedista”, mas não tínhamos visto o quanto. Admirado fiquei por saber que também a Rainha Mãe participava nestes passeios.

Nesta foto temos partindo da esquerda: José de Mello , José de Sena , a Marquesa de Belas, D. Afonso , Benjamim Pinto, a Rainha Mãe D. Maria Pia (com cerca dos seus 50 anos) e Alfredo Albuquerque num passeio na Serra de Sintra.
Dizem-me que este passeio foi na estrada de Cascais para Colares, depois Malveira, Alcabideche a caminho da Penha Longa, almoço no pinhal e depois Estoril voltando pela estrada de Sintra.

Ao que parece que estes passeios eram frequentes nos idos de 1893.

Anedotário velocipédico

4 Mai

Calino, provinciano, tem um filho a estudar no Porto. Desde que se meteu a socio do “Club Velocipedista do Porto” ficava horas esquecidas a comtemplar as elegantes machinas que alli se encontram.

Um dia resolve escrever á mãe pedindo-lhe 30 libras para comprar um velocípede, mas com a condição expressa de não mostrar a carta ao pae.

Por infelicidade a carta veio ás mãos d’este, que desanda uma descompostura tremenda no filho e lhe diz que nada lhe manda. Depois n’um ‘post scriptum’ diz:

Tua mãe manda-te as 30 libras que lhe pedes, mas isto sem eu saber.

Graçola retirada d’O Velocipedista (1893)

Vai uma aposta?

26 Abr

Almeida Barros e Magalhães Campos, realisaram domingo passado, pelas 4 e meia da manhã, a corrida em bicycletas, desde o Club, Campo Pequeno, Villar, Campo Alegre, rua de António Cardoso, Bellos Ares e Boavista e vice-versa. A aposta entre os dois era de 10$000 réis e a condição era que: o primeiro que desmontasse em qualquer subida, perdia.
Magalhães de Campos, na subida de Villar, quasi ao cimo, teve de desmontar, seguindo sempre Almeida Barros, que foi sempre montado. Era vigia por parte do sr. Campos, Ernesto de Magalhães e por parte do sr. Almeida Barros, o sr. Dias, que acompanharam sempre os corredores.
Juiz de partida e chegada – Vidal Oudinot, o qual entregou a quantia de 10$000 réis ao vendedor.

Retirado d’O Velocipedista(1893)

Ahh…maldita velocipedia!

23 Abr

Abilio Machado, José do Amaral, Baião, Meirelles, Mourão, Santos, Santos Vidal, irmãos Lopes e muitos outros, realisaram no domingo largos passeios, almoçando no campo, com um apetite, dizem, phenomenal. Maldita velocipedia!

Contado n’O Velocipedista (1893)

É de pequenino que se começa

17 Abr

Foi tirada tirada num estúdio do Porto, na sua primeira viagem a esta cidade, cerca de 1894, esta foto do Infante D. Manuel [futuro Rei D. Manuel II]. (Cliché da Phot. União – Porto)

Aqui estava já o gérmen da monarquia da bicicleta com os nossos Chefes de Estado a darem o exemplo.

Pestalozzi, o celebre pedagogo, afirmava que no brincar da creança podiam vêr-se as acções futuras do homem. Por uma subtil revivescência de inclinações ancestrais, a mecânica, esse officio dilecto aos Orleans e aos Bourbons, exercia uma seducção irresistível sobre o pequeno Infante [ D. Manuel]. As suas mãositas travessas estendiam-se, súplices, para os relógios dos dignatários e dos familiares. Nada o entretinha como vêr caminhar os ponteiros nos mostradores de ouro ou porcelana, entre os algarismos romanos, e ouvir o tic-tac isochrono dos machinismos. O relogio era o grande mysterio fascinador, perante que se dilatavam os seus olhos meditativos. Os brinquedos que o interessavam eram, sobretudo, os de movimento. E a sua curiosidade avida exigia a explicação minuciosa dos segredos que faziam caminhar os comboios sobre os tapete e gesticular os polichinellos.

Foto e texto retirados do livro de 1908 de Carlos Malheiro Dias

“Quem é o Rei de Portugal?”

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