Arquivo | Abril, 2012

Vai uma aposta?

26 Abr

Almeida Barros e Magalhães Campos, realisaram domingo passado, pelas 4 e meia da manhã, a corrida em bicycletas, desde o Club, Campo Pequeno, Villar, Campo Alegre, rua de António Cardoso, Bellos Ares e Boavista e vice-versa. A aposta entre os dois era de 10$000 réis e a condição era que: o primeiro que desmontasse em qualquer subida, perdia.
Magalhães de Campos, na subida de Villar, quasi ao cimo, teve de desmontar, seguindo sempre Almeida Barros, que foi sempre montado. Era vigia por parte do sr. Campos, Ernesto de Magalhães e por parte do sr. Almeida Barros, o sr. Dias, que acompanharam sempre os corredores.
Juiz de partida e chegada – Vidal Oudinot, o qual entregou a quantia de 10$000 réis ao vendedor.

Retirado d’O Velocipedista(1893)

Ahh…maldita velocipedia!

23 Abr

Abilio Machado, José do Amaral, Baião, Meirelles, Mourão, Santos, Santos Vidal, irmãos Lopes e muitos outros, realisaram no domingo largos passeios, almoçando no campo, com um apetite, dizem, phenomenal. Maldita velocipedia!

Contado n’O Velocipedista (1893)

É de pequenino que se começa

17 Abr

Foi tirada tirada num estúdio do Porto, na sua primeira viagem a esta cidade, cerca de 1894, esta foto do Infante D. Manuel [futuro Rei D. Manuel II]. (Cliché da Phot. União – Porto)

Aqui estava já o gérmen da monarquia da bicicleta com os nossos Chefes de Estado a darem o exemplo.

Pestalozzi, o celebre pedagogo, afirmava que no brincar da creança podiam vêr-se as acções futuras do homem. Por uma subtil revivescência de inclinações ancestrais, a mecânica, esse officio dilecto aos Orleans e aos Bourbons, exercia uma seducção irresistível sobre o pequeno Infante [ D. Manuel]. As suas mãositas travessas estendiam-se, súplices, para os relógios dos dignatários e dos familiares. Nada o entretinha como vêr caminhar os ponteiros nos mostradores de ouro ou porcelana, entre os algarismos romanos, e ouvir o tic-tac isochrono dos machinismos. O relogio era o grande mysterio fascinador, perante que se dilatavam os seus olhos meditativos. Os brinquedos que o interessavam eram, sobretudo, os de movimento. E a sua curiosidade avida exigia a explicação minuciosa dos segredos que faziam caminhar os comboios sobre os tapete e gesticular os polichinellos.

Foto e texto retirados do livro de 1908 de Carlos Malheiro Dias

“Quem é o Rei de Portugal?”

Foi em Paris, mas podia ser por cá.

14 Abr

Hoje foto de Robert Doisneau.

A velocipedia militar

13 Abr

Diz uma folha de Bragança que em caçadores 3 se tem ministrado instrucção de velocipedia a todos os officiaes e praças de pret, que concorrem á gymnastica e esgrima da escola pratica de infanteria, executando-se já n’um concurso exercícios á voz com muita correcção e prontidão.
Nos exercícios de tactica applicada da companhia de guerra que concorre á escola em maio próximo vae ser applicada a velocipedia no serviço de correios e exploração.

Comunicação retirada d’O Velocipedista (1893)

O contingente velocipédico em 1893

10 Abr

O numero de cicletas em França está calculado em 300:000!
Na Allemanha existem 200:000 velocipedistas dando só Berlim um contingente de 5:000.
Uma das academias velocipédicas inglezas, deu 7:000 lições de bicycleta durante uns 6 meses, muitas das quaes a senhoras. Taes lições representam, pouco mais ou menos, 1:500 velocipedistas novos!
A Liga de Velocipedistas americanos conta actualmente 34:304 membros de cujo numero 1:162 pertencem ao sexo fraco!
Deve haver hoje em Portugal seus 8:000 velocipedistas, sendo 4:000 montados.
O Porto conta hoje perto de 2:000 velocipedistas sendo 500 montados.

Estatisticas d’O Velocipedista (1893)

Coimbra a preparar o Verão

6 Abr

A corporação de bombeiros voluntários de Coimbra, uma das que mais se tem feito notar pelo ser progresso e pela maneira como estuda todas as inovações, a fim de prestar os seus humanitários serviços com maior rapidez, estuda a introdução das bicycletas para a conducção do piquete de bombeiros que acompanham a bomba quando em incêndios fóra da cidade.

Notícia d’O Velocipedista (1893)

Fim-de-semana de borga

3 Abr

Carlos Minchin, A. Machado, Peixoto, partiram para Braga no sabbado, em bicycleta, regressando domingo à noite, perfeitamente bem dispostos. Foram assistir às festas que a academia de Braga alli realisara.

Passeios retirados d’O Velocipedista (1893)

Conselhos prudentes

1 Abr

Damos a seguir os que o reputado professor allemão  Matatodos insere no seu famoso livro Nãoexistezeitung:

1º Montar de verão em traje de banho e de inverno com facto de mergulhador.

2º Levar sempre na bolsa da machina um barril de aguardente e uma canôa para em caso de resfriamento poder tomar-se um banho alcoolico.

3º Quando se chega de uma excursão violenta e se sente o corpo a transpirar, deve tomar-se um banho de agua gelada, tendo o cuidado de prevenir antecipadamente a família para que vá preparando o luto e chamando o armador.

4º Não emprehender excursão alguma sem ter feito calafetar, a pedra e cal hydraulica, as fossas nasaes e a bocca, a fim de evitar a entrada do ar. A respiração effectua-se pela parte porterior das orelhas onde o cyclista mandará rasgar dois postigos com uma pequenina faca de cosinha.

5º Nas paragens ou descanços, não deve comer senão pão de milho, quando não haja outra coisa; assim como é conveniente não fumar, a não ser que tenha cigarros ou dinheiro para os comprar.

6º Para evitar que haja desarranjo nos ossos dos joelhos e dos pés, todo o cyclista deve, antes de sahir de casa, praticar, como uma verruma, dois pequenos orifícios na perna e pé, introduzindo n’esses orifícios a maior porção de petróleo que lhe seja possível.

7º Estando provado que a bicycleta caminha tanto mais quanto menos fôr o pezo da pessoa que a monta, convem que todo o cyclista leve só a cabeça, os braços e as penas, deixando em casa o tronco, á excepção da parte que precisa para occupar o selim.

8º Com o fim de evitar as quédas nas curvas das estradas, é conveniente desmontar a 100 metros de distancia ou, o que é ainda mais seguro, deixar-se ficar em casa.

9º Para não arranjar corcunda (vulgarmente chamada sêmea) deve levar-se o corpo metido n’uma prensa de copiar fabricada de algodão em rama para não pezar demasiado.

10º Para ter conhecimento de todos os progressos da velocipedia, corridas, ‘records’, ‘matchs’ e quejandas eguarias e mais legumes cyclicos, deve assignar a revista quinzenal ‘O Velocipedista’, enviando a quantia de 1:200 réis á sua administração, rua de D. Pedro, 184 – Porto.

Estes 10 mandamentos se encerram em dois – ter a maxima cautella e caldos de galinha; e não deixar de assignar este jornal por coisa nenhuma d’esta vida, a não ser por falta de dinheiro que é a única razão que póde convencer-nos…

Em vista do que não lhes dizemos mais nada para não os affligir.

Conselhos d’O Velociedista (1 de Abril de 1895)

O Velocipedista na TimeOut de Abril

1 Abr

A TimeOut Porto de Abril dedicou seis páginas inteirinhas às coisas do ciclismo urbano no Porto.

Uma das páginas foi dedicada ao ciclismo digamos, mais clássico, destacando-se o Maria Amélia e o trabalho aqui dos meninos no Velocipedista.