Arquivo | Maio, 2012

Uma festa no Real Velo-Club

16 Maio

Em fins do último século, quando os automóveis, de industria ainda incipiente, estavam muito longe de alcançar os progressos actuais, tinha o ciclismo atingido grande desenvolvimento.

Eram mesmo de bom tom os passeios de homens e senhoras em bicicletas, (…)

Também se realizavam nessa época corridas de bicicletas, em locais apropriados – velódromos – espectáculos sempre muito apreciados, e nos quais se evidenciaram notáveis corredores.

E nas batalhas de flores, ao tempo muito em voga, não deixavam de figurar bicicletas, caprichosamente enfeitadas por vezes. (…)

Ora, em 1893 fundou-se nesta cidade o Real Velo-Club do Porto, com sede no velho Palácio de Cristal aonde sempre a conservou, e que tratou logo de proceder à construção dum “velódromo” – daí a razão do seu nome – na cerca do Palácio das Carrancas, edifício actualmente ocupado pelo Museu Nacional de Soares dos Reis, para tal fim cedida.

Teve o Clube como presidente honorário o malogrado rei D. Carlos e ao velódromo foi dado o nome de “Maria Amélia”, em homenagem à excelsa senhora que foi rainha de Portugal. (…)

No ano de 1895 resolveu a Direcção organizar uma festa de caridade no seu velódromo, em benefício do Dispensário para crianças que a piedosa rainha D. Amélia tencionava fundar nesta cidade a exemplo do que já funcionava em Lisboa, com os mais lisonjeiros resultados. (…)

Logo em seguida à distribuição dos convites, a imprensa diária iniciou a publicação de sucessivas listas de prendas , que de toda a parte acorreram , oferecidas especialmente por senhoras da melhor sociedade.

Fez-se grande reclame da festa e nas vitrines dos Armazéns Hermínios, edifício que agora é sede da Caixa Geral de Depósitos, à Rua de Santo António, esteve exposta uma linda aguarela, da autoria do artista amador Manuel S. Romão , representando o velódromo com a disposição das barracas e ornamentações que deveriam figurar no dia do festival.

Para dar maior brilho à festividade publicou-se também uma elegante brochura (…)

Abriu a festa pelo concurso floral de bicicletas, tandems e biciclo. Nele tomaram parte 17 bicicletas, 2 tandems e um biciclo, todos ornamentados a capricho com flores, papéis de variadas cores e avencas, oferecendo um admirável espectáculo, a deslizarem velozmente sobre a pista, que a rutilante luz do sol iluminava. (…)

Entretanto efectuava-se a grande “kermesse”, bazar de prendas em barracas enfeitadas com gosto, guarnecidas de gentilíssimas senhoras, que zelosamente auxiliavam  a venda dos bilhetes de rifa. Além do pavilhão central, havia uma barraca árabe, com a “roda da fortuna” e um gracioso caramanchão, coberto de heras, destinado à venda de tabacos, bebidas, flores e serviço de restaurante. (…)

A receita foi avultadíssima, excedendo em muito as expectativas da comissão promotora, (…)

Desta forma pôde a invicta cidade mais uma vez orgulhar-se de ter largamente concorrido, com a sua proverbial generosidade, para a simpática obra que a bondosa Rainha patrocinava.

Maio de 1959

Chegou-nos às mãos esta brilhante descrição da festa que se realizou em 1895 no Real Velódromo Maria Amélia. Deixo-vos em seguida as imagens com a noticia original completa para que possam perceber melhor como tudo se passou.

Um obrigado ao Nuno Resende que nos vai passando destas pérolas quando se cruza com elas.

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Reais em bicicleta

9 Maio

Já sabíamos de comunicações anteriores que  S. A. o infante D. Affonso, era “um distincto velocipedista”, mas não tínhamos visto o quanto. Admirado fiquei por saber que também a Rainha Mãe participava nestes passeios.

Nesta foto temos partindo da esquerda: José de Mello , José de Sena , a Marquesa de Belas, D. Afonso , Benjamim Pinto, a Rainha Mãe D. Maria Pia (com cerca dos seus 50 anos) e Alfredo Albuquerque num passeio na Serra de Sintra.
Dizem-me que este passeio foi na estrada de Cascais para Colares, depois Malveira, Alcabideche a caminho da Penha Longa, almoço no pinhal e depois Estoril voltando pela estrada de Sintra.

Ao que parece que estes passeios eram frequentes nos idos de 1893.

Anedotário velocipédico

4 Maio

Calino, provinciano, tem um filho a estudar no Porto. Desde que se meteu a socio do “Club Velocipedista do Porto” ficava horas esquecidas a comtemplar as elegantes machinas que alli se encontram.

Um dia resolve escrever á mãe pedindo-lhe 30 libras para comprar um velocípede, mas com a condição expressa de não mostrar a carta ao pae.

Por infelicidade a carta veio ás mãos d’este, que desanda uma descompostura tremenda no filho e lhe diz que nada lhe manda. Depois n’um ‘post scriptum’ diz:

Tua mãe manda-te as 30 libras que lhe pedes, mas isto sem eu saber.

Graçola retirada d’O Velocipedista (1893)